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Contra tudo e contra todos, PSD veta moção do PCP contra a municipalização da educação PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Comissão Concelhia de Ovar do PCP   
Terça, 24 Março 2015 20:54

Contra tudo e contra todos, PSD veta moção do PCP contra a municipalização da educação

Foi apresentada pelo PCP, na sessão da Assembleia Municipal de 21 de Março, uma moção contra a municipalização da educação no concelho de Ovar. A moção teve votação favorável dos grupos municipais do PCP, do BE e do PS, tendo sido rejeitada com os votos contra de toda a bancada do PSD.

A moção surge em resposta ao recentemente publicado Decreto-Lei 30/2015, no qual o governo PSD/CDS institui um processo de "delegação de competências" (municipalização) a concretizar através de contratos inter-administrativos com as autarquias que aderirem, em áreas de grande complexidade: educação, saúde, segurança social e cultura. O governo pretende assim desresponsabilizar-se destas matérias, transferindo o ónus da insatisfação, dos despedimentos e do subfinanciamento para as autarquias - numa nova estratégia de destruição de políticas públicas e funções sociais do Estado.

O Governo tem vindo a negociar com algumas câmaras municipais este tipo de contratos, muitas vezes em grande secretismo, com a oposição de sindicatos e organizações de professores, sem ouvir a comunidade educativa e com a oposição da própria direcção da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) que emitiu já parecer desfavorável. Um parecer que, no entanto, teve os votos contra de cinco autarcas do PSD alinhados com as intenções governamentais, entre os quais Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro e da CIRA - Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro - onde se integra Ovar.

De salientar que é precisamente da CIRA que têm vindo a público as posições mais preocupantes de apoio à estratégia governamental, que culminaram com o anúncio da região de Aveiro como uma das "regiões piloto" para a sua implementação . Neste sentido, o eleito do PCP na Assembleia Municipal, Miguel Jeri, questionou o Presidente da Câmara de Ovar sobre a posição do município no âmbito da CIRA, tendo este admitido subscrever o apoio dado pela CIRA à municipalização.

Miguel Jeri, eleito do PCP na Assembleia Municipal

Na intervenção de defesa da moção, o eleito do PCP começou por contextualizar o tema denunciando a actual política governamental de ataque à educação. É à luz desta realidade que se podem identificar os principais objectivos do governo, que em nada se prendem com melhoria na educação, mas antes com desresponsabilização das suas competências.

Sublinhou a necessidade de rejeitar um processo de municipalização que, a ser aprovado, coloca sob as autarquias competências de gestão curricular, financeira e pedagógica; gestão de recursos humanos; gestão de equipamentos e infraestruturas e avaliação de desempenho, entre outras. Este é um processo incompatível com a autonomia das escolas, incompatível com a autonomia do Poder Local e que é mais um passo na sua subordinação a interesses e políticas que lhe são estranhas.

Miguel Jeri alertou ainda para as consequências de insistir neste caminho: a limitação do carácter universal e gratuito do sistema de ensino, o ataque à dignidade da carreira docente, a instituição de novos encargos para autarquias, a degradação e oportunidade para a privatização de funções educativas.

O PCP não pode deixar de denunciar a pobreza de argumentos da bancada do PSD que, abstendo-se de qualquer análise crítica sobre o conteúdo do Decreto-Lei, e fazendo tábua rasa dos factos apresentados pelo PCP, se limitou a repetir a falácia governamental de que este processo seria uma "aproximação aos cidadãos" quando a realidade demonstra ser antes uma aproximação aos objectivos do governo. O PCP realça que, em ano e meio de mandato, a linha política do PSD local tem sido a de assumir e defender repetidamente os objectivos do governo em detrimento dos interesses do nosso concelho.

Cai assim por terra a tese do "vestir a camisola do município" tão apregoada em tempos de campanha eleitoral.

Frente a isto, o PCP, continuará a luta política por uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos, sem assimetrias locais ou regionais que coloquem a causa a sua universalidade. Chama ainda a atenção para os perigos da municipalização de outras competências, nomeadamente na saúde, sendo essencial a luta e unidade das populações para os travar.

Clique aqui para ver a intervenção do eleito do PCP

 
Contra tudo e contra todos, PSD veta moção do PCP contra a municipalização da educação PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Comissão Concelhia de Ovar do PCP   
Terça, 24 Março 2015 20:54

Contra tudo e contra todos, PSD veta moção do PCP contra a municipalização da educação

Foi apresentada pelo PCP, na sessão da Assembleia Municipal de 21 de Março, uma moção contra a municipalização da educação no concelho de Ovar. A moção teve votação favorável dos grupos municipais do PCP, do BE e do PS, tendo sido rejeitada com os votos contra de toda a bancada do PSD.

A moção surge em resposta ao recentemente publicado Decreto-Lei 30/2015, no qual o governo PSD/CDS institui um processo de "delegação de competências" (municipalização) a concretizar através de contratos inter-administrativos com as autarquias que aderirem, em áreas de grande complexidade: educação, saúde, segurança social e cultura. O governo pretende assim desresponsabilizar-se destas matérias, transferindo o ónus da insatisfação, dos despedimentos e do subfinanciamento para as autarquias - numa nova estratégia de destruição de políticas públicas e funções sociais do Estado.

O Governo tem vindo a negociar com algumas câmaras municipais este tipo de contratos, muitas vezes em grande secretismo, com a oposição de sindicatos e organizações de professores, sem ouvir a comunidade educativa e com a oposição da própria direcção da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) que emitiu já parecer desfavorável. Um parecer que, no entanto, teve os votos contra de cinco autarcas do PSD alinhados com as intenções governamentais, entre os quais Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro e da CIRA - Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro - onde se integra Ovar.

De salientar que é precisamente da CIRA que têm vindo a público as posições mais preocupantes de apoio à estratégia governamental, que culminaram com o anúncio da região de Aveiro como uma das "regiões piloto" para a sua implementação . Neste sentido, o eleito do PCP na Assembleia Municipal, Miguel Jeri, questionou o Presidente da Câmara de Ovar sobre a posição do município no âmbito da CIRA, tendo este admitido subscrever o apoio dado pela CIRA à municipalização.

Miguel Jeri, eleito do PCP na Assembleia Municipal

Na intervenção de defesa da moção, o eleito do PCP começou por contextualizar o tema denunciando a actual política governamental de ataque à educação. É à luz desta realidade que se podem identificar os principais objectivos do governo, que em nada se prendem com melhoria na educação, mas antes com desresponsabilização das suas competências.

Sublinhou a necessidade de rejeitar um processo de municipalização que, a ser aprovado, coloca sob as autarquias competências de gestão curricular, financeira e pedagógica; gestão de recursos humanos; gestão de equipamentos e infraestruturas e avaliação de desempenho, entre outras. Este é um processo incompatível com a autonomia das escolas, incompatível com a autonomia do Poder Local e que é mais um passo na sua subordinação a interesses e políticas que lhe são estranhas.

Miguel Jeri alertou ainda para as consequências de insistir neste caminho: a limitação do carácter universal e gratuito do sistema de ensino, o ataque à dignidade da carreira docente, a instituição de novos encargos para autarquias, a degradação e oportunidade para a privatização de funções educativas.

O PCP não pode deixar de denunciar a pobreza de argumentos da bancada do PSD que, abstendo-se de qualquer análise crítica sobre o conteúdo do Decreto-Lei, e fazendo tábua rasa dos factos apresentados pelo PCP, se limitou a repetir a falácia governamental de que este processo seria uma "aproximação aos cidadãos" quando a realidade demonstra ser antes uma aproximação aos objectivos do governo. O PCP realça que, em ano e meio de mandato, a linha política do PSD local tem sido a de assumir e defender repetidamente os objectivos do governo em detrimento dos interesses do nosso concelho.

Cai assim por terra a tese do "vestir a camisola do município" tão apregoada em tempos de campanha eleitoral.

Frente a isto, o PCP, continuará a luta política por uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos, sem assimetrias locais ou regionais que coloquem a causa a sua universalidade. Chama ainda a atenção para os perigos da municipalização de outras competências, nomeadamente na saúde, sendo essencial a luta e unidade das populações para os travar.

Clique aqui para ver a intervenção do eleito do PCP

 
Sessão Pública «40 Anos da Nacionalização da Banca em Portugal» | Sexta 27/Março, 21h | Orfeão de Ovar PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP   
Sexta, 20 Março 2015 22:14

Sessão Pública «40 Anos da Nacionalização da Banca em Portugal» | Sexta 27/Março, 21h | Orfeão de Ovar

 
Nota de Imprensa: Sobre o anúncio da recandidatura do presidente da Câmara Municipal de Ovar PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Comissão Concelhia de Ovar do PCP   
Terça, 17 Março 2015 21:54

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Comissão Concelhia de Ovar

Nota de Imprensa: Sobre o anúncio da recandidatura do presidente da Câmara de Ovar


Questionado por vários órgãos de comunicação social sobre a anunciada recandidatura do presidente da Câmara Municipal de Ovar a este órgão, a Comissão Concelhia de Ovar do PCP considera que:

1. O momento actual exige um foco especial não em anúncios apressados de nomes para as eleições autárquicas (para as quais ainda faltam dois anos e meio!), mas sim na luta por uma política alternativa, patriótica e de esquerda ao serviço dos trabalhadores e das populações. Uma luta que terá a sua próxima batalha eleitoral já nas próximas eleições legislativas, dentro de aproximadamente seis meses, e cujo resultado poderá ter um impacto enorme na vida e no futuro dos portugueses, em geral, e na dos ovarenses, em particular. O anúncio de candidaturas a outros actos eleitorais apenas pode interessar a quem queira distrair o povo do essencial: a necessidade de usar o seu voto nas legislativas para romper com a política de direita.

2. No curto espaço de tempo desde as últimas eleições autárquicas, o Executivo PSD em Ovar tem comprovado por diversas vezes não ser alternativa ao PS, num mandato marcado pela subordinação a interesses governamentais que nada têm a ver com os interesses da população de Ovar. São disto exemplos a conivência com a privatização dos CTT; a venda da participação na ERSUC e apoio à privatização da EGF; a incapacidade de exigir investimento na Pousada da Juventude; a incapacidade para actuar junto da ADRA. Perspectivam-se ainda posições preocupantes para o futuro, como o apoio manifestado à municipalização da saúde ou à privatização da Pousada da Juventude, assumidas pelo presidente em plenários da Assembleia Municipal.


Ovar, 16 de Fevereiro de 2014,
A Comissão Concelhia de Ovar do PCP


 
PCP questiona Câmara sobre protocolo com a MOVIJOVEM e alerta para privatização da Rede Nacional de Turismo Juvenil PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Comissão Concelhia de Ovar do PCP   
Quarta, 28 Janeiro 2015 23:53

Pousada de Juventude de Ovar

Na sequência da tomada de posição do PCP em que defende a responsabilização do governo pela viabilidade financeira da Pousada da Juventude do Ovar, o deputado municipal do PCP, Miguel Jeri, enviou já um requerimento à Câmara Municipal questionando-a sobre esta matéria.

No documento chama-se a atenção para o processo de privatização da Rede Nacional de Turismo Juvenil (RNTJ) levado a cabo pelo governo, e que teve como último capítulo o anúncio, a 10 de Janeiro e pelo Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, do processo de “concessão” de 25 pousadas da Juventude em todo o país.

Face a estes acontecimentos o eleito do PCP solicita garantias quanto à não privatização da Pousada de Juventude de Ovar e exorta a Câmara a tomar posição, não deixando de referir as apreensões dos comunistas face às declarações do Presidente da Câmara que aceitavam, infelizmente, este cenário.

Sobre o anunciado "crédito de alojamento" de 30.000€, o eleito questiona ainda se a CMO realizou algum estudo previsional das necessidades anuais de alojamento e requisição de salas de reunião que suportem a decisão de assumir este valor e de quais as soluções para o caso de não atingir esse consumo, bem como sobre a existência de algum plano estratégico que, no âmbito das suas competências, dinamize e promova a utilização da Pousada de Juventude de Ovar, como defende o PCP.

Uma vez mais o PCP alerta os jovens, os trabalhadores da Pousada e a população em geral que o processo de concessão a privados da RNTJ colocará em risco direitos laborais e direitos da juventude consagrados constitucionalmente, sendo a sua luta essencial e determinante para travar estes propósitos.

Documento


 
Apresentação em Ovar do V Tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Comissão Concelhia de Ovar do PCP   
Segunda, 26 Janeiro 2015 22:52

Miguel Jeri, Juliana Silva e Manuel Rodrigues

O Museu de Ovar foi o local escolhido para a a apresentação, na passada sexta-feira, do V Tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal. A iniciativa foi presidida por Juliana Silva, membro da Comissão Concelhia de Ovar do PCP, e contou com intervenções de Miguel Jeri, eleito na Assembleia Municipal, e de Manuel Rodrigues, membro da Comissão Política do Comité Central e director do Jornal «Avante!».

Miguel Jeri iniciou com uma intervenção onde começou por descrever o percurso de mais de 70 anos de luta de Álvaro Cunhal: os tempos como dirigente estudantil, a sua adesão ao Partido, a passagem à clandestinidade, as tarefas na reorganização de 1940/41, a prisão e o isolamento, a fuga da cadeia para a prossecução da luta em liberdade, a contribuição decisiva para a correcção da linha política do partido e a estratégia para derrube do fascismo, a importância no desenvolvimento e aprofundamento do processo revolucionário após a Revolução de Abril, a tenacidade na defesa das conquistas da revolução, a denúncia e combate ao processo contra-revolucionário, a atitude coerente que manteve pela causa que dedicou a sua vida, até ao seu final: a emancipação dos trabalhadores e do povo.

Apresentação do V Tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal no Museu de Ovar

Salientou ainda a sua dimensão artística, relevando a sua contribuição para a literatura (romance, conto e tradução), para as artas plásticas e para a reflexão teórica sobre a arte. Finalmente, fez uma breve síntese da colecção "Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal", publicada pelas Edições Avante desde 2007, que pretende levar mais longe a extensa obra que nos foi deixando ao longo da sua vida.

Seguiu-se a exibição de um vídeo que de certa forma complementou a intervenção precedente, ilustrando a actualidade e acerto do pensamento deste destacado dirigente comunista.

Apresentação do V Tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal no Museu de Ovar

Passou-se seguidamente a palavra a Manuel Rodrigues, que desenvolveu uma sustentada intervenção sobre o conteúdo deste V Tomo. Um livro que nos mostra uma nova fase da produção teórica de Álvaro Cunhal em correspondência com o novo ciclo do processo revolucionário aberto pela revolução do 25 de Abril de 1974. São textos que, numa ordem cronológica, oferecem um verdadeiro guia do itinerário histórico seguido pelo processo revolucionário, iniciado com o levantamento militar na madrugada libertadora 25 de Abril de 1974 (logo seguido do levantamento popular de massas) e que se prolongou até ao golpe militar da direita e dos moderados em 25 de Novembro de 1975.

É fundamentalmente na forma do discurso político em comícios abertos aos militantes, aos simpatizantes e à população em geral, e em entrevistas à imprensa nacional e estrangeira de grande circulação que Álvaro Cunhal fará chegar a palavra de esclarecimento de uma situação em processo de mudança acelerada, a palavra de orientação na procura do caminho certo numa realidade económica, social, política e ideológica complexa e contraditória, a palavra mobilizadora de vontades para uma luta sem tréguas em diversas frentes.

Apresentação do V Tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal no Museu de Ovar

Textos datados e produzidos em cima dos acontecimentos, que constituem um autêntico compêndio de vivências de mais de ano e meio de um processo revolucionário, com os seus avanços e recuos, com as suas curvas difíceis e golpes reaccionários e com o rasgar de perspectivas exaltantes de construção de um regime democrático a caminho do socialismo.

Seguiu-se um período aberto ao público que contou com diversas intervenções dos presentes que, independentemente da tendência política, convergências e divergências, permitiu um franco e positivo debate com especial incidência no período revolucionário e na actualidade do pensamento de Álvaro Cunhal. De salientar ainda o sentimento de enorme fraternidade expresso pelos presentes pela sua figura, sendo consensual a importância do seu legado - a sua acção e a sua obra - no Portugal de hoje e do futuro.

Apresentação do V Tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal no Museu de Ovar

 
Conclusões da Reunião da DORAV do PCP de 16 de Janeiro de 2015 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP   
Quarta, 21 Janeiro 2015 13:55

Partido Comunista Português

A Direcção da Organização Regional de Aveiro (DORAV) do PCP, reunida a 16 de Janeiro, analisou aspectos do desenvolvimento do quadro internacional e a situação política do país e do distrito, as suas consequências para os trabalhadores e o povo, bem como a resistência desenvolvida e a prosseguir. A DORAV do PCP debruçou-se com particular atenção na planificação do ano de 2015, nas suas vertentes política, orgânica e financeira, concluindo que o reforço do PCP é crucial para a elevação da luta e para a construção de uma alternativa patriótica e de esquerda para Portugal, considerando as Eleições Legislativas como um momento de importância decisiva para romper com a política de direita.


1. O agudizar das tensões inter-imperialistas dentro da UE, a contínua desestabilização e ingerência imperialista na Grécia, no Leste da Europa, no Médio Oriente e na América Latina, resulta da cada vez mais aguda necessidade dos pólos imperialistas de tudo fazer para evitar os efeitos de uma nova "réplica" da crise iniciada em 2008 e ainda não ultrapassada. A justa e ampla consternação sentida após uma série de atentados em Paris não deve contribuir para que se iludam as responsabilidades que as potências imperialistas têm na instigação de conflitos religiosos e étnicos e na promoção de forças de extrema-direita, xenófobas e fascistas. O combate a tais crimes exige uma inversão de políticas em cada país e entre Estados, e o fim do apoio político, financeiro e militar a grupos que espalham o terror e a destruição (que directa ou indirectamente serviram os interesses da NATO), bem como o desenvolvimento de políticas de paz e cooperação respeitadoras do direito internacional, da soberania dos povos, da liberdade e da democracia.

2. É neste quadro, que se desenvolve a ofensiva do Capital contra os trabalhadores do nosso país. Tendo como principais executantes o Governo PSD-CDS e o Presidente da República, é evidente que as políticas seguidas pretendem destruir o património conquistado pelo povo com o 25 de Abril. Nem a retórica "pós-troika" do Governo ("o pior já passou"), nem a insistência do PR em apelos populistas ao "consenso" e à "responsabilidade dos partidos", ilude que esta é e será uma política de declínio nacional.

3. Os portugueses estão já a sentir os efeitos do Orçamento do Estado 2015 (o tal primeiro "pós-troika"). O garrote aos salários, pensões e reformas de miséria, combinado com preços e impostos cada vez mais altos e cortes nos apoios e subsídios aos mais necessitados está a sufocar cada vez mais portugueses, em geral, e habitantes do distrito de Aveiro, em particular. O aumento do preço da água nos concelhos abrangidos pela AdRA é mais um exemplo das consequências de uma política que empobrece o povo.

4. A destruição da economia tem como causa a política de direita levada a cabo nos últimos 38 anos. Entre outros aspectos, a continuação de altíssimas taxas de desemprego está assegurada pelo despedimento colectivo de quase 800 trabalhadores da Segurança Social (mais de 30, em Aveiro), junto com outros esquemas como "rescisões amigáveis", "requalificações" e "lay-off", como na Pousada da Juventude de Ovar ou na Câmara de Aveiro, cujo presidente já anunciou publicamente despedir 400 trabalhadores! Em paralelo, prosseguem no sector privado o despedimento de trabalhadores, o encerramento de empresas (como previsto da Lunik, na Feira) e o inaceitável recurso a mão-de-obra com vínculo precário.

5. O ajuste de contas do Capital com o 25 de Abril tem na destruição de serviços públicos uma pedra angular. Os criminosos processos de tentativa de privatização da TAP e das empresas de transporte de Lisboa e Porto, a concretizar-se, terão gravíssimas consequências para o país e os portugueses. A situação actual da PT fala por si no que ocorre aquando da privatização de empresas estratégicas do país. A privatização da EGF colocou nas mãos da Mota-Engil o valioso sector dos resíduos sólidos urbanos, processo que traz e trará consequências negativas para as populações, os trabalhadores e o ambiente. Em simultâneo, é muito grave o anúncio do fim do serviço de transporte da MoveAveiro, com a entrega das operações a transportadoras privadas.

6. A destruição de serviços públicos teve a sua expressão mais mediática e grave no falecimento de um doente na urgência do Hospital da Feira. Porém este não é mais do que o triste corolário de uma situação há muito denunciada pelo PCP e que tem a sua raiz na destruição do Serviço Nacional de Saúde e, de forma mais abrangente, no desrespeito da Constituição. Este acontecimento sublinha a necessidade de inverter as políticas de destruição da saúde e da segurança social públicas, assim como da defesa de todas as funções sociais do Estado postas em causa pelo Governo, com a tentativa obstinada de transferir essa responsabilidade para as câmaras, lamentavelmente já ensaiada aqui no Distrito com o programa piloto da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro que procura municipalizar Saúde, Educação, Segurança Social e Cultura.

7. A torrente de casos de corrupção vindos a público é indissociável da política de direita seguida pelos sucessivos governos e do processo de restauração capitalista de que as privatizações são a mais importante expressão. Cada caso deve ser investigado e julgado de forma livre e justa para que se apure cabalmente a verdade. Tais procedimentos não devem ser marcados por opções políticas, porém é indispensável deles retirar uma conclusão política, pois tais casos resultam precisamente da promiscuidade entre o poder político e o poder económico.

8. Os desenvolvimentos dos últimos meses demonstram que, para além da propaganda, o Partido Socialista permanece comprometido com as opções e os interesses que trouxeram o país a esta situação e que procuram dar continuidade a esta política (PEC, Pacto de Agressão, Tratado Orçamental, Moeda Única). Por mais diligências e outros artifícios pré-eleitorais que se façam (incluindo ou não forças que se dizem “à sua esquerda”), as escolhas do PS são o principal obstáculo a uma ampla convergência que afaste o país do caminho de desastre em que está.

9. A luta massas permanece como o elemento mais decisivo de resistência e transformação do nosso país. As manobras pré-eleitorais nos partidos da política de direita (PSD, PS, CDS) são exageradas pela comunicação social dominante e promovidas para criar no povo um sentimento de expectativa quase mística em relação ao futuro, como se tudo pudesse ser resolvido precisamente por quem esteve na origem dos problemas. A par deste quadro ideológico, a ofensiva contra os direitos prossegue, levando a que a participação dos trabalhadores e das populações nos destinos do país seja cada vez mais difícil. Nesse quadro, a DORAV valoriza as acções de luta e protesto que se realizaram nos últimos meses por parte de vários sectores – agricultores, pescadores, de todos os trabalhadores, em particular da Administração Central e Local, do sector têxtil e cerâmico (com importantes paralisações), dos professores (contra a PACC e a municipalização da educação) e dos estudantes. Sublinha-se a importância das acções de 13 de Novembro e a importante Marcha Nacional contra o OE 2015, que em Aveiro contou com a participação de centenas de pessoas, a 23 de Novembro, exortando os trabalhadores e o povo que continuem a luta.

10. 2015 será um ano de intensa actividade do PCP, em que a par do envolvimento na dinamização da luta de massas, o colectivo partidário será chamado a aprofundar o esclarecimento e mobilização do povo português para a construção de uma alternativa patriótica e de esquerda, dando continuidade à acção nacional “A força do povo por um Portugal com futuro!”. Não se esgotando nessa vertente, o trabalho com vista a um bom resultado nas Eleições Legislativas constitui um aspecto central do ano que agora se inicia. Realizar mais e melhores iniciativas, envolver mais trabalhadores e mais democratas e patriotas deve ser o horizonte de todas as organizações que, desde já, devem planificar o seu trabalho. Nesse quadro, entre muitas iniciativas que terão lugar ao longo de 2015, destacam-se a realização das Jornadas Parlamentares do PCP em Aveiro (2 e 3 de Fevereiro), a inauguração do CT de Águeda com a presença do secretário-geral do Partido (22 de Fevereiro), a participação no Encontro Nacional do PCP “Não ao declínio nacional. Soluções para o país” (28 de Fevereiro) e as iniciativas de comemoração do 94º Aniversário do PCP.

11. O conjunto das tarefas que se colocam para 2015 sublinham a necessidade do reforço do PCP.  A DORAV aprovou um plano de trabalho para este ano em que se consideram 13 Assembleias de Organização e linhas de trabalho a realizar ao longo de todo o ano. Terá ainda lugar, a 11 de Abril, um Encontro Distrital sobre o trabalho do PCP nas empresas, cuja preparação e realização procura aprofundar o trabalho do Partido nesta dimensão chave do nosso trabalho. A par destes aspectos, a DORAV decidiu que se intensificariam os esforços para a concretização dos 80 recrutamentos até ao final da Campanha Nacional em Abril e 50 novos recrutamentos de Abril até ao final de 2015.

12. Como tarefa urgente que deve envolver toda a organização destaca-se a concretização da Acção Nacional de Elevação da Militância. Estando ainda mais de 1/3 dos contactos por concretizar, o finalizar desta campanha reveste-se de um carácter urgente e essencial, não apenas pelo seu cumprimento estatístico, mas pelas potencialidades de reforço da organização que possibilita, já evidenciadas nas organizações do distrito em que se avançou mais.

13. A saúde financeira da DORAV é uma dimensão essencial do trabalho do Partido no distrito. Nesse sentido, a DORAV decidiu medidas para ampliar a recolha financeira regular, para fazer face de forma mais eficaz às exigências que se colocam pelas tarefas que se apresentam. Foram ainda sublinhadas as grandes potencialidades de recolha financeira evidenciadas ao longo destes meses da concretização da campanha de fundos para aquisição da Quinta do Cabo. Fica claro que é possível ir mais longe para ampliar e melhorar a Festa do Avante!

14. O ano de 2015 trará a todos os portugueses grandes desafios, abrindo a todos os trabalhadores, aos patriotas e democratas importantes possibilidades para que, com determinação e luta, se dêem passos decisivos para romper com a política de direita e se implemente em Portugal uma política patriótica e de esquerda vinculada aos valores de Abril. Nesse caminho, no distrito de Aveiro e no país, os portugueses sabem que podem contar com o PCP, força coerente e honesta, que nunca virou nem virará a cara à luta.

Aveiro, 16 de Janeiro de 2015

 
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